A liderança do MPLA mostra, publicamente, não ser preciso desenhar a lógica rocambolesca e camaleónica de piscar à direita, mas virar à esquerda. Textualizar democracia e praticar autocracia, não confere o estatuto de democrata, mas de ditadura.
Por William Tonet
Os votos legítimos não são bastantes para a alternância, por a força do fúsil, impor a continuidade na lógica dantesca de mudar, o que nada muda(rá)…
Em 2027, com base no acervo das duas anteriores batotas eleitorais (2012-2017; 2017-2022), competirá aos novos eleitores, maioritariamente jovens, despidos dos estilhaços das guerras, consentirem, a continuidade do regime, baseado na fraude e batota. O país está dilacerado e clama por mudança, já. Os exércitos dos contentores de lixo, desempregados, injustiçados, discriminados, famintos, miseráveis, preparam os votos para uma nova aurora.
Uma verdadeira República.
A máfia da ilegitimidade “regimental”, não vai desistir.
Os milhões dos discriminados vão preferir “morrer” a contestar, que a deixar passar a caravana vampira…
Não há terceira opção.
CALCINADO NO PODER
A obsessão da liderança pelo poder leva-a a expurgar as vozes dissonantes, nos órgãos centrais (bureau político e comité central) do MPLA. Elas não terão assento no congresso de 2026, por vontade expressa do chefe. É o seu objectivo incontornável.
Pitra Neto, Fernando da Piedade, Dino Matross, Boavida Neto, Bornito de Sousa, Ângela Bragança, Higino Carneiro, Baptista Kussumua, Paulo Kassoma, entre outros, estão com o pescoço na guilhotina.
Será a “liquidação” total dos vectores político-partidário e económico de Eduardo dos Santos.
A sua filha, Isabel dos Santos, não sairá do limbo…
Os sinais de perpetuação e infidelidade a palavra (bicefalia), que impôs ao antecessor, escorraçando-o da liderança do MPLA, estão patentes nas obras megalómanas, no perímetro da sede do MPLA, com a construção de um Centro de Convenções moderno, ala administrativa e social, com equipamentos de ponta.
Mais de 90 milhões de euros de dinheiro público, denuncia a nossa fonte.
A gamela foi a de sempre: SONANGOL, para todos desvarios.
A PGR e o Tribunal de Contas, têm ciência, mas não movem uma palha por cumplicidade dolosa.
O futuro os julgará.
Um partido sem publicação de relatório e contas, não pode movimentar empreitadas monumentais, sem que tenha arrombado os cofres públicos.
A imponência arquitectónica chinesa mostra a férrea vontade do líder em manter-se, “ad eternum”, no poder, condicionar a democracia interna e qualquer tendência de alterar a arcaica arquitectura funcional do MPLA.
PAÍS ADIADO
Angola está silenciosa e “cumplicemente” adiada, se os intelectuais patriotas e os bons continuarem a ser covardes.
Os heróis de casa de banho, são seres abomináveis.
O país precisa de resiliência para travar os novos colonizadores, ocidentais, asiáticos, israelitas, monarquias árabes e fundamentalistas islâmicos, que, por traição ao país, por parte dos governantes complexados, dominam a soberania económica.
A democracia é uma quimera, que sucumbe ante a progressão de uma ditadura, suportada pelos canhões.
O “modus operandi” do regime assente na debilidade, controlo das instituições castrenses e corrupção, começa a apresentar fissuras insanáveis. Os remendos já não conseguem impedir a fuga de ar. Logo é hora dos movimentos de indignação, aumentarem os gritos de revolta.
Ainda que continue a crescer a tese de estar tão calcinada a batota, com o domínio do regime sobre os tribunais, polícia e militares, que muito dificilmente com João Lourenço haverá alternância pela via do voto democrático, porque o MPLA é alérgico à verdade eleitoral.
TRAIÇÃO INTERNACIONAL
A comunidade internacional, (União Europeia, China, Estados Unidos, Rússia), está cooptada, comprometida com a corrupção por ter, sub-repticiamente, selado, acordos secretos com o regime, para fechar os olhos, a fraude eleitoral (2027), em troca dos minérios raros, terras aráveis, da exploração dos recursos marítimos, das telecomunicações e do sistema financeiro e bancário.
É a outorga completa da soberania económica do país.
Dúvidas inexistem quanto a esta assertiva.
Que país do mundo entrega os seus inertes (areias, rochas, burgaleiras, calcário) a estrangeiros (chineses) e água (cisternas) a cubanos e engarrafada (alemães, libaneses, portugueses) como dolosamente faz o MPLA, traindo os empreendedores e empresários angolanos?
No domínio comercial, com a lei antipatriota de 2018, onde os estrangeiros podem ter 100%, do capital das empresas, ao invés de parcerias.
Hoje, em qualquer rua das 21 províncias, em 10 estabelecimentos comerciais, 1,5 são de angolanos…
País completamente quadriculado, por novos colonizadores…
Os responsáveis estão identificados, inclusive, no estímulo ao fomento da natalidade dos fundamentalistas islâmicos, para no prazo de 10 anos se converterem em mais de 2/3 da população, visando em 2035, transformar o Islão na maior religião, capaz de escancarar as portas ao Estado Islâmico.
A sua expansão não é casuística. É planificada.
O MPLA é o grande mentor. Mas os intelectuais patriotas, as igrejas de matriz angolana (Simão Toco), africana (Simão Kimbangu), a Igreja Metodista e a Igreja Católica, pelo silêncio, são cúmplices deste desvario, não podendo eximir-se de responsabilidade, no futuro.

